Dra. Roberta França - Geriatra Barra da Tijuca

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Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ,

Alzheimer e a Arte de Cuidar

20/9/2018

Só quem tem ou convive com um paciente com Demência de Alzheimer sabe o que isso significa. Não é fácil pra ninguém!


O paciente tem oscilações importantes de humor e comportamento.

Tem dias que está calmo, tranquilo, conversa com facilidade e até lembra de coisas que te fazem duvidar do diagnóstico. Porém há os dias que acorda agressivo e agitado. Grita por tudo e pede socorro como se alguém estivesse "matando". Troca o dia pela noite, ou simplesmente não dorme hora nenhuma.

 

Não aceita água nem comida, rasga todas as fraldas, quer ir pra casa de qualquer jeito (mesmo estando na casa dele) cospe os remédios e grita mais ainda. Nesses dias muitos tem vontade de gritar junto, muitos se desesperam e tem certeza que não irão conseguir lidar com isso até o final.


Quem não gritaria? Quem não se desesperaria?
Cuidar de um paciente demenciado requer acima de tudo entendimento aceitação!

É fundamental compreender a doença e suas fases, saber que haverão dias bons e dias ruins, e dias péssimos. Compreender que o paciente não faz por maldade ou querer, que ele não te agride ou xinga de forma pessoal, que ele não dorme pra te perturbar.

 

Tudo isso faz parte do processo da doença e por mais que para algumas pessoas saber de tudo parece ser uma maneira de sofrer por antecipação eu como geriatra posso garantir que Não! Conhecer cada fase da doença e tudo que pode acontecer ajuda e muito a reconhecer quando as coisas começam a acontecer, ajuda a prever como lidar e a acima de tudo a perceber quando você, o cuidador! precisa de ajuda. 


Ninguém precisa ser super-herói. Não é errado dizer que não está dando conta nem pedir auxilio quando a situação parece te fugir ao controle. Somos humanos! Lidar com a inversão de papéis é muito difícil, ser pai do seu pai ou mãe da sua mãe não é algo que estamos preparados para vivenciar. Perceber as limitações diárias, as perdas cognitivas e as habilidades que antes pareciam tão simples é doloroso. Pra todo mundo.

 

Como geriatra eu sempre digo que no começo eu cuido do paciente mas depois preciso cuidar muito mais da família. O paciente dentro do seu processo de demência esta bem. Não há medicamentos modificadores da doença até a presente data, assim ele está estável dentro das possibilidades impostas pela patologia. Mas a família está vendo tudo acontecer, acompanha cada perda e cada ganho. E sofre... e questiona... e tem medo... e tem angústia.. .

 

Sofre por achar que não esta fazendo o melhor ou suficiente. Questiona o porque está passando por isso. Tem medo de se vê nesta mesma situação lá na frente. Se angústia com o que está por vir.


Aqui a presença do geriatra é fundamental. O consultório passa a ser o lugar para conversar, tirar as dúvidas, questionar e se preparar.  Uma boa relação geriatra/ família é primordial para que tudo seja vivencido de forma lúcida e acima de tudo tranquila. 
Não existe fórmula mágica mas quando tudo parece não ter jeito acredito que só o amor pode ajudar. 

Dra Roberta França 
Medicina Geriátrica 
De Corpo e Alma 
www.geriatrarobertafranca.com.br

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